julho 27, 2004

Fotos


Um olhar perdido algures

Uma folha morta no chão

Uma luz indiscreta

reflexos de um dia a dia cheio de pequenas insignificâncias
muitas vezes despercebidas, outras demasiado importantes.

Publicado por Sérgio Catita em 05:15 PM | Comentários (1)

julho 20, 2004

Ouro Preto


Letra de Sérgio Godinho
Música de Milton Nascimento

Ouro Preto foi na nuvem transportada
agora não chovia ainda em Minas
mas já a grande mão ali pousava
a mão que moldaria nas colinas
Ouro Preto

Eu vi no ar brilhante a trajectória
das chuvas que trouxeram quantidade
de gestos, arquitectos da memória
aos poucos pondo o rosto na cidade
de Ouro Preto, Ouro Preto

O líquido suspira pela terra
formando gota o casario
as formas que a paisagem não encerra
são corpos que na tarde acaricio
em Ouro Preto, Ouro Preto

Sentado na soleira desmaiado
uni-me com a estátua que me beija
a mão que me talhou, do Aleijado
sentou-me incandescente em sua igreja

Raiz que reconheço também minha
ou âncora por vezes já sem nó
eu chego aqui como antes já não vinha
em Ouro Preto eu não me sinto só
Ouro Preto, Ouro Preto

Publicado por Sérgio Catita em 11:16 AM | Comentários (0)

Lisboa que amanhece

A propósito de um post no blog do gomezzz, fiquei com a impressão de me ter enganado na letra da música lá fui à procura.

Letra e música de Sérgio Godinho

Cansados vão os corpos para casa
dos ritmos imitados de outra dança
a noite finge ser
ainda uma criança
de olhos na lua
com a sua
cegueira da razão e do desejo

A noite é cega e as sombras de Lisboa
são da cidade branca a escura face
Lisboa é mãe solteira
amou como se fosse
a mais indefesa
princesa
que as trevas algum dia coroaram

Não sei se dura sempre esse teu beijo
ou apenas o que resta desta noite
o vento enfim parou
já mal o vejo
por sobre o Tejo
e já tudo pode ser aquilo tudo aquilo que parece
na Lisboa que amanhece
(REFRÃO)

O Tejo que reflecte o dia à solta
à noite é prisioneiro dos olhares
ao cais dos miradouros
vão chegando dos bares
os navegantes
amantes
das teias que o amor e o fumo tecem

E o Necas que julgou que era cantora
que as dádivas da noite são eternas
mal chega a madrugada
tem que rapar as pernas
para que o dia
não traia
Dietrichs que não foram nem Marlenes

Não sei se dura sempre esse teu beijo...
(REFRÃO)

Em sonhos, é sabido, não se morre
aliás essa é a única vantagem
de, após o vão trabalho
o povo ir de viagem
ao sono fundo
fecundo
em glórias e terrores e aventuras

E ai de quem acorda estremunhado
espreitando pela fresta a ver se é dia
a esse as ansiedades
ditam sentenças friamente ao ouvido
ruído
que a noite, a seu costume, transfigura

Não sei se dura sempre esse teu beijo...
(REFRÃO)

Publicado por Sérgio Catita em 11:02 AM | Comentários (0)

julho 08, 2004

O Único Poeta da Natureza

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas – a da minha nascença
e a da minha morte.
Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar,
porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanha-men-to de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas
diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensa-mento.
Compreender isto com o pensamento
seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.

O que nós vemos das coisas são as coisas.
Por que veríamos nós uma coisa se houvesse outra?
Por que é que ver e ouvir seria iludirmo-nos
Se ver e ouvir são ver e ouvir?
O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê,
E nem pensar quando se vê

Mas isso (tristes de nós que trazemos a alma vestida!),
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender

O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Aquela senhora tem um piano
Que é agradável mas não é o correr dos rios
Nem o murmúrio que as árvores fazem...
Para que é preciso ter um piano?
O melhor é ter ouvidos
E amar a Natureza.

Não procures nem creias: tudo é oculto.

de "Cid Seixas"

Publicado por Sérgio Catita em 09:41 AM | Comentários (0)

julho 01, 2004

Eurovespa

Toca a preparar as máquinas que vem aí o Eurovespa.

depósitos atestados, capacete colocado, óculos à maneira
aí vêm eles a dominar lisboa e arredores numa marcha repleta de carisma e de classe.

É este o evento que está a ser organizado com o alto patrocínio do Vespa clube de Lisboa.


Um grande abraço a todos os vespistas.

Publicado por Sérgio Catita em 05:33 PM | Comentários (0)